segunda-feira, 11 de abril de 2016

Matéria exclusiva com Rodrigo Santos, baixista da banda Barão Vermelho

ENTREVISTA EXCLUSIVA: RODRIGO SANTOS BAIXISTA DO BARÃO VERMELHO


Rodrigo Santos, baixista da banda de rock nacional Barão Vermelho, esteve em Jundiaí para o lançamento de seu livro: "Cara a Cara". Nessa biografia, Rodrigo fala de sua vida de músico e de sua experiência e dependência do álcool e das drogas. O Blog RTP entrevistou o artista que falou também sobre sua carreira, seu novo DVD: "A Festa Rock" e sobre os shows que vem realizando para divulgação deste novo trabalho solo


Por Márcio Teixeira
Fotos e edição: João Pachelli

RTP: Gostaria que você falasse sobre o show de logo mais no Yellow Pubmarine aqui em Jundiaí.

Rodrigo Santos: O show é baseado no DVD: “A Festa Rock – Volume I”, que lancei a pouco tempo, com produção do Roberto Menescal, que conta mais ou menos não só a história do Pop Rock, mas também da MPB em formato Rock’n Roll, que vai de Erasmo Carlos, Moraes Moreira, Novos Baianos, até Legião Urbana, Charlie Brown Jr., Barão Vermelho. O show acabou se transformando numa festa mesmo, claro que no volume II eu vou variar um pouco mais, vou botar, sei lá, Alceu Valença com Plebe Rude, são medleys, tanto posso fazer um medley do mesmo artista como posso misturar, como já misturei Skank e Nando Reis com Los Hermanos, como fiz no volume I por exemplo. 

RTP: E sobre o lançamento da sua biografia: “Cara a Cara” aqui na livraria Leitura?

RS: O livro foi lançado pela Neutro Editora, com o escritor Ricardo Pugiari, a gente escreveu junto, a quatro mãos, contando todas as minhas estórias na música, os anos em que toquei com Lobão, com Léo Jaime, com João Penca e Seus Miquinhos Amestrados, com os Britos, com Kid Abelha, com a Blitz, com o Barão Vermelho claro e minha carreira solo. 

RTP: O livro fala sobre sua experiência e dependência do álcool e das drogas? 

RS: O detalhe dessa biografia é que ela foi lançada no ano passado, quando completei 10 anos de abstinência de álcool e de drogas, foi uma coisa que acabou me pegando e eu não queria fazer um livro só disso porque na verdade a minha estória é musical. No meio da estória toda foram acontecendo coisas que foram sendo desenvolvidas na dependência química, eu explico como isso foi acontecendo, como foi difícil decidir parar, então conto um pouco de quando fui coordenador numa clínica. Quando fui pedir ajuda nessa clínica que não era de internação, era um hospital, em que eu assistia por dia três reuniões e ia pra casa, voltava no dia seguinte, tinha que fazer esse movimento de voltar todos os dias, cada dia eu tinha que me convencer de que tinha que retornar, esse movimento já é uma força interna que você vai criando, que você tem que estar lá. Depois eu fui indicado para a coordenação com 9 meses de abstinência e virei coordenador de reuniões lá durante 3 anos e meio e isso fez com que eu ficasse mais tempo lá, porque eu já tinha entendido todo o processo de que é uma doença sem cura. Você tem que ficar atento a vida toda, é bem subterrâneo o negócio, você não pode subestimar, é grave se você voltar a usar, senão passa a não ser grave, as pessoas que não analisam como uma doença sem cura tendem a cair, "vou beber um vinho a daqui 15 anos" e aí volta a beber, já vi gente cair com 14 anos e voltar mesmo voraz, não pode subestimar. 

RTP: No livro você conta também como foi tocar com o Lobão e depois com o Barão? 

RS: É dentro disso eu conto milhões de estórias que aconteceram comigo, não de drogas mas de música. A gente abrindo pros Rolling Stones com o Barão Vermelho em 95, tocando com o Lobão no Holywood Rock que virou o disco: “Ao Vivo”. Foi quando o Barão Vermelho abriu o show pra gente e então me convidaram pra entrar na banda nesse dia, no quarto do Hotel Hilton. Hoje em dia a gente vive a mesma situação de outra maneira, não sabe se volta o Barão, se pára, se o Frejat volta. E na época eles me chamaram, então esse show pra mim é emblemático com o Lobão, porque foi um show que o Frejat conhecia todo mundo e eu já era uma opção e tal, mas eu não podia deixar o Lobão naquele momento, eu que tinha montado a banda, era quase o diretor musical naquela época. Aí fizemos uma turnê maravilhosa, gravamos nos Estados Unidos, eu nunca tinha ido pra lá, a gente foi gravar um disco com o Lobão e passamos um mês em Los Angeles. Ele querendo ir pra lá gravar o disco pra prescrever a pena dele, que prescreveu enquanto ele estava lá em Los Angeles e a gente como banda. Era mais barato levar a gente daqui do Brasil do que contratar gente de lá e claro que ele preferia que a gente tocasse, mas os custos pesavam pra gravadora. Então viu-se que era mais barato a gente alugar um apart hotel e ficarmos nós cinco: eu, o Cadú, o Nani, o Zé Luís no sax e o Alcir Explosão, falecido Alcir, que era diretor de bateria da Mangueira e a gente se divertiu pra caramba num apart hotel, todos juntos no mesmo espaço.
RTP: Fale sobre Os Britos, projeto cover dos Beatles, que vocês fizeram até um documentário, foram pra Inglaterra tocaram no Cavern Club, entre outras coisas.

RS: Os Britos foi um grupo formado no Circo Voador no Rio de Janeiro, por acaso escolheram um de cada banda, eu e o Guto Goff do Barão, o George Israel do Kid Abelha e o Nani. Tinha o Samuel Rosa do Skank e o Dado Villa-Lobos da Legião Urbana também nesse projeto. O nome inicial era Backbeat (Os Cinco Rapazes de Liverpool) referente ao filme sobre os Beatles. Lá fora foi lançado com 5 integrantes das bandas de Seattle para divulgar o filme e aqui eles queriam fazer a mesma coisa, daí chamaram a gente. Mas o Dado não quis continuar e o Samuel não pode participar, então ficamos nós quatro e depois demos o nome de Britos. A gente foi duas vezes pra Inglaterra, eu falo no livro bastante sobre isso, porque foi a melhor viagem que eu fiz, a primeira viagem, pois foi com a minha mulher. Eu tava com 2 meses de abstinência, nunca tinha ido pra Inglaterra e sou beatlemaníaco, meu livro é todo em cima dos Beatles, chegando lá e vendo aquele mundo, Beatles em todos os lugares que a gente ia. A galera comemorava as duas da tarde quando parava a primeira sessão de gravação do DVD, eram brindes com canecas e eu lá né, mas eu estava super firme, só que obviamente tinha horas que eu prefiria sair, saia com a minha mulher pra tomar um café. Não que eu fosse beber ou algo do gênero, mas você não tá afim de ficar sofrendo, aquele momento era muito recente, meu personagem junk estava muito próximo dali, então tinha que me dar mais lastro, pra que eu ia me sentir mal, tenho direito de sair, mas foi só um dia específico nos outros dias não. A gente foi em fábrica de whisky, fábrica de cerveja, eu ganhei um whisky com o meu nome, fui numa entrevista numa fábrica gigante de whisky e eu tomando suco de laranja, na fábrica só tinha whisky e o cara me trouxe suco de laranja, (risos). Eu dei uma entrevista e agradeci pela garrafa com meu nome, que até pouco tempo estava comigo e dei de presente pro George ou pro Guto, nem sei. Eu comemorei com os Britos no Rock in Rio, que eu fiz solo e fiz com os Britos, aí no dia dos Britos eu falei: " olha taqui o whisky pra vocês comemorarem, guardei ele esse tempo todo". Ganhei um diploma e o whisky, falei que não bebia mais, mas era por serviços prestados ao Rock'n Roll. Enfim isso não me incomodava, só que no pub comemorando depois da gravação, caramba, era muito sutil essa situação, mas a viagem foi a melhor da minha vida. E tem um detalhe, eu descobri que existia museu e não só pubs, fui em vários lugares com a minha mulher. Além da gente filmar em Abbey Road, Strawberry Fields estava fechado, tíramos fotos na frente, fomos em todos os lugares, fomos em Penny Lane, tiramos milhões de fotos nessa viagem.

RTP: E vocês receberam uma condecoração, uma medalha do Governo Britânico, vocês continuam com os britos ainda?

RS: Em 2006 a gente fez uma segunda viagem, daí fomos pra Irlanda também, no total nas duas viagens foram 4 shows no Cavern Club, mais shows no Rádio Rock Café de Londres, o Fantástico foi cobrir nossa segunda viagem e o Zeca Camargo fez uma baita matéria. Aí o Príncipe Andrew fez uma solenidade, entregou uma medalha pra gente, tem essa foto no meu livro, fizemos um acústico com três músicas dos Beatles, no nosso formato Britos, aí ganhamos a medalha e ele ficou conversando com a gente um pouco. A solenidade foi pra gente mesmo, até a nossa história é igual a dos Beatles, porque inclusive a gente acabou também, (risos) ninguém tem uma Yoko, não que eu saiba, ainda, (risos). Mas aí ele perguntou: "o que vocês estão escutando, os mais recentes?", bom pensei: mais recentes depois de Beatles e Stones, sei lá, falei U2, Oasis e ele respondeu: "mas isso é velho já". Poxa (pensei), esse príncipe tá de sacanagem comigo, (rsos). Então ele falou que gostava de música eletrônica, daí ele perguntou: "vocês não escutam nada de música eletrônica?", e eu pensei: moderninho ele. Daí eu disse que de música eletrônica não conhecia muito não: "escutei Chemical Brothers, Prodigy", não esperava que ele fosse achar U2 e Oasis velho, enfim, isso em 2006, U2 tá aí até hoje. Essa foi a estória que eu me lembro que foi engraçada, a gente ficou com a cara assim...o cara falando, que aquilo era antigo. Mas música boa é música boa, Beatles era redundante a gente falar, porque a gente já estava lá fazendo projeto dos Beatles, Stones não valia, aí o mais recente que eu gostava era aquilo ali, a resposta dele foi engraçada, a gente até riu na hora, demos uma sacaneada no príncipe, tipo Beatles mesmo, (risos), só não fumamos maconha no palácio, (risos). Por acaso eu estou encontrando o George Israel sempre agora, pra compor, pra fazer música, tocar mesmo, a gente até conversa bastante sobre isso, de voltar com Os Britos. 

RTP: E sobre os Lenhadores, sobre o show do Canal Bis com músicas do Police e sobre vocês terem tocado com o Andy Sumers, guitarrista do Police?

RS: Esse foi outro momento mágico, e pensar que tudo isso aconteceu em abstinência, nesses 10 anos e o Andy já fez 2 turnês comigo quando ele veio pro Brasil. O meu empresário é o mesmo empresário dele, ele gostou muito de mim, a gente se afinou musicalmente. Primeiro ele tinha dado uma canja no meu show em 2012, daí em 2014 ele veio de novo pro Brasil e eu já tinha gravado uma música nossa em 2013, no meu disco Motel Maravilha, meu 5º disco, agora já lancei o 6º. Eu tinha umas oito músicas guardadas que eu queria mexer nas letras, passar pro português, dar uma remodelada no texto, daí ele veio pra cá fazer uma turnê e a gente nem tocou essas músicas, a gente focou em Barão e Police, fizemos um projeto em 2014 e outro projeto em 2015. Eu banquei em 2014, os seis shows, nem deu grana nem nada, já em 2015, eu e meu empresário vendemos a turnê pra algumas cidades, foram nove cidades, foi super legal porque deu certo. Peguei mais músicas, a gente diminuiu um pouco as músicas do Barão e aumentou a quantidade das músicas do Police, porque da outra vez não deu tempo e no meio disso tudo pintou o programa do Canal Bis. Eles me convidaram e a gente até falou se eles não queriam esperar pro Andy fazer uma participação, mas eles disseram que não, que queriam estrear a série só com a gente. Então nós ensaiamos mais músicas e saímos gravando, tocamos direto, não repetimos nenhuma música. E foi difícil porque as músicas são altas, eu achei que faltava um pouco de , que eu uso, que geralmente o Sting usa ao vivo, que todos usam. Achei um pouco seco quando ouvi o programa, mas achei bem legal, ficou bom o resultado, era um teste, era o programa piloto deles e a gente no meio disso tudo. O Andy volta esse ano, eu vou fazer uma turnê com ele, muito provavelmente junto com o João Barone dos Paralamas, eu, ele e o Barone. 

RTP: Como é essa sua união com o pessoal do rock carioca, vocês produzem muito juntos.

RS: É por exemplo Os Britos a gente continua, mas não tem tempo, eu tenho minha carreira solo, shows, uma porção de coisas, no caso do meu livro tem 85 depoimentos, não só da galera do Rio, nem da galera que eu toquei, tem o pessoal do Titãs, pessoal da MPB, pessoal do rock dos anos 70, pessoas que moram es Saõ Paulo como o guitarrista Carlini, o Sergio Dias dos Mutantes que mora nos EUA, e não necessariamente cariocas, e como eu moro no Rio tem depoimento dos Paralamas, do João Barone, muita coisa do Barão, do Kid Abelha, da Blitz, que são pessoas que eu toquei, o Lobão, o Léo Jaime, também tem o baixista do Cachorro Grande, o do Jamil que é de Salvador, a Flavinha do Autoramas que tá morando na Europa, é bem variado, o mais importante é se unir em torno da música, não só do Rock. O fato de eu ter tocado com a Blitz e com o Kid Abelha, também influencia, não por ser sermos exatamente da mesma galera, mas é que a gente tocou juntos, Os Britos, inclusive quem montou Os Britos foi o Circo Voador, por acaso assim, escolheram um de cada banda, eu e o Guto do Barão, tinha o Samuel Rosa também nesse projeto, o nome era Back Bits, o nome do filme, é porque lá fora foi lançado com 5 integrantes das bandas de Seattle, e aqui eles queriam fazer a mesma coisa, e aí aqui chamaram a gente e o dado Villa-Lobos fez também, mas elenão quis continuar e o Samuel não pode participar, e aí ficamos nós quatro, daí depois o nome de Britos, 

RTP: É os novos projetos, tem alguma coisa já em vista? e o Barão Vermelho volta pra uma turnê de 35 anos em 2017?

RS: Eu vou ter um documentário sobre a minha vida no Canal Brasil, tem algumas coisas que ainda não posso revelar e realmente não sei o que vai acontecer com o Barão, conversei outro dia com o Frejat sobre uma possível volta e ele disse que no momento ele não tem intenção de voltar com a banda, pois está com vários projetos em andamento, que ele faria uma participação especial apenas, deu total liberdade pra voltarmos com o Barão, mas eu realmente não sei se voltaremos. Sei lá daqui a um tempo o que vai acontecer, se a gente vai botar a banda na rua se não vai, se acabou ou se não acabou, isso ninguém sabe direito.   

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